Mostrar mensagens com a etiqueta Desabafo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desabafo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Hoje (2)

Hoje chamaram. Havia que discutir o caso com o anatomo-patologista que lhe fez a autópsia. Desci as escadas. Entrei pela sala, enorme, forrada a alumínio. E ali estava ele. De abdómen e tórax aberto, orgãos dispostos meticulosamente na bancada. O miocárdio afectado, o cérebro anóxico, edematoso, que levou à morte cerebral.

E enquanto se falava da clínica, dos aspectos dos orgãos, não conseguia deixar de o olhar. Quem nunca viu um corpo morto nunca poderá sentir a sensação. De que se encontra vazio de vida, tão diferente dos filmes. Em que se sente que a alma já lá não está. Mas nele, não pude deixar de rever os sonhos, as alegrias. As brincadeiras de um jovem que não teve tempo de crescer. Nele jazia a tristeza de quem chora uma perda que não se preenche.

Descansa em paz, com a certeza que fizemos tudo o que sabíamos.

V.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Hoje

Hoje sinto-me dormente. Digo muitas vezes que não transporto os meus doentes para casa comigo. Penso neles por vezes, mas procuro fazê-lo no melhor local, o de trabalho.

Mas hoje, trouxe um rapaz comigo. Veio de mão dada comigo no pensamento. Trouxe-o em peso no coração. Trouxe-o com a imagem dos pais.


Dizer a um pai que o seu filho de 23 anos não volta acordar é difícil. E ouvir uma menina a falar da vida que têm para começar, desfez-me a alma. Hoje.

sábado, 6 de novembro de 2010

I´m really sorry

Ler nas entrelinhas é uma arte.
(Que não chega a todos.)


O egoísmo pode ser, por vezes e tão somente, uma forma de dizer " preciso de ti".

Letters

Mandaste mensagem. Pediste perdão a teu jeito.
Às vezes penso se o peso que sinto é da recordação do passado se da mágoa que te disse não sentir. (Encostei a porta como que sussurrando, entre dentes, que não há mais espaço para ti. )

Se te tivesse falado com o coração dir-te-ia que lamento imenso. Mas este imenso vazio, esta perda do à vontade que por vezes o tempo traz consigo, eu não sei desfazer.


Não sei o que é amizade sem confiança.
Que o que dou ao outros é desta vez o que espero para mim. E não menos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dinner

Cheguei à pouco a casa e aqui estou, no reino dos meus lençóis. O jantar correu bem, tinha saudades das meninas. Das cusquices, dos risos, dos mimos. O sentimento feminino é mesmo assim, ou se gosta e "são das nossas" ou não.

Tranquei portas e janelas. Nunca pensei tão maricas mas viver sozinha numa vivenda tem sido uma aventura. Tenho tudo fechado (chego mesmo a trancar a porta do quadro) e não resisto a ver detrás das portas para confirmar que não anda lá ninguém. Dou por mim nesta idade a desencadear uma psicose obsessivo-compulsiva, está visto. Nem imagino o que vou fazer no Verão mas temo que vá viver numa de sauna permanente trancada até às orelhas.


PS: Se virem o Mr Lucky , indiquem-lhe a morada aqui do tasco. É que há dias que não conhece o caminho para casa....

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A propósito do último prós e contras

Eu, se fosse acusada de pedofilia, ia presa. E, se fosse culpada, enfiava-me num buraco. Que eles não tenham vergonha na cara, é lá com eles. Que a televisão pública lhes dê tempo de antena, é, simplesmente, lamentável.

sábado, 24 de julho de 2010

Eu e as redes sociais

Eu tenho cá para mim que o tempo que cada um passa no facebook é proporcional à sua falta do que fazer.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Analogias médicas

Passámos uma tarde à procura de uma agulha* no palheiro**. Num palheiro que não tinha agulha.

* Foramen ovale patente
** Septo interauricular

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Como o tempo azeda a sopa*

Dou por mim a questionar-me se as pessoas quando envelhecem começam a ficar amargas...

Só um pensamento...


*Expressão que ouvia a minha avó dizer quando era pequenina.

terça-feira, 29 de junho de 2010

E C@r@lhinho para as Cornetas

Caralh&/%#% para as criancinhas aqui da frente que não contentes por terem perdido ainda a estão a soprar nas put%&%$$ das vuvuzelas.

Rico e produtivo dia de férias

Levanto-me para ir ao gás.
Erro na loja do gás (porque vou à sede em vez do local de atendimento ao público, distanciados por 5km). A meio caminho dizem-me que afinal falta uma peça no contador e que ainda não posso pôr o gás.
Vou à loja encomendar o puff das riscas para o escritório. Já não fazem o tecido das riscas. O puff custa mais 100 euros do que eu pensava.
Espero a tarde inteira pela pessoa que tinha ficado de ir comigo buscar umas telas e encomendar o puff de outra cor. Essa pessoa não aparece. É tarde demais para ir à loja sem apanhar trânsito que dure 3 dias.

Estou a fazer ronha no sofá à espera que chegue a hora do ginásio.

Merda de dia.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Big mistake

No início do mês uma das minhas maiores paixões do passado fez anos. Podemos chamá-lo carinhosamente de Sr. das Trevas. O Sr. das Trevas ensinou-me o pesaroso caminho da auto-estima....

Pois bem, actualmente pouco falamos um com o outro (para não dizer que não nos falamos mesmo, de todo). A última vez que trocámos 2 palavras foi em 2009 no casamento de uma amiga: "Olá, como estás? Conheces a Susana?". "Tudo bem. Sim, já conheço." (Susana, uma vendedora de Bimbis, sua namorada). E pronto, o que foi, no passado, uma grande amizade, ficou agora reduzida a 2 frases lacónicas.


Mas como disse, lembro-me sempre do seu dia de anos e, pontualmente, costumo enviar-lhe uma msg nesse dia. Tempos houve em que tentei ingloriamente esquecer-me do seu número e, efectivamente, não me lembro dele agora. Constava de um telemóvel antigo cujo paradeiro me é desconhecido. Os amigos em comum deixaram de ser amigos e a única coisa que restava, no fundo da memória, eram os algarismos do número. Era um 96, tinha uns 5, uns 2, uns 0 e um 1 à mistura. Pus-me a tentar adivinhar a ordem e pensei, até há uns dias, que teria acertado.

Enviei-lhe a seguinte msg: "Parabéns! Espero que estejas bem e muito feliz.". Mensagem simpática que depois de ir ao dicionário liguagem-de-gaja/português diz qq coisa do género: "Em tempos fomos muito bons amigos. Em tempos gostei tanto de ti que julguei que morria. E agora estou bem e feliz. E espero, de todo o coração que também o estejas." A ausência de resposta não era novidade. Fazia parte do padrão. Sempre foi assim.

E eis quando, hoje de manhã, recebo uma chamada às 8h da manhã. WTF, pensei. A esta hora? Quem será? Como não consegui atender logo, liguei a perguntar quem era.

Pois bem, era um senhor, chamado Monteiro, com voz de XOPINHA de MAXAS. A dizer que eu lhe tinha mandado uma mensagem. Fez-se luz. FDS. Mandei para outra pessoa. "Desculpe, foi engano". "TalveX não tenha XIDO" Respondeu. "Não, foi, foi, acredite. Foi engano". Retorqui. "Olhe que não..." Insistiu.

Já cansada da conversa desliguei como não quem não quer a coisa pedindo desculpa pelo engano. E eis senão quando recebo os seguintes SMS:

SMS 1: Querida.antes.un.beijinho.convite.para.jantar.ou.almocar.outro.grand.beijo.

SMS 2: Querida.antes.de.mais.um.beijinho.fica.o.convit.para.almocar.ou.jantar.marca.o.dia.um.beijo.mui.fort.


Vamos lá então esclarecer uma coisa para seu interesse e para aventureiros futuros:

Aqui a menina tem padrões de qualidade. O primeiro pré-requisito é saber escrever melhor do que uma criança no 4º ano de escolaridade. Outro é saber destinguir o "espaço" do "." . O terceiro é não me chamarem de "querida". Faz-me espécie (Só permitido aos meus amigos ou a velhotas acima dos 85). O ser Xopinha de MaXas não é critério de exclusão desde que devidamente compensado por outros requisitos o que, obviamente, não parece ser o caso.


Pois é. A isto se chama de pontaria. Certamente não poderia ter acertado no número do George Clooney. Tinha de ser mesmo no de um trolha. Haja paciência....

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O preço da Felicidade

Quando se inicia um amor, tudo parece fácil, inócuo. O amor dado parece não ter uma moeda de troca, oferecemos o coração como uma dádiva que julgamos nunca reclamada. Um dia, se o amor nos foge, se a relação como foi concebida se perde, se transforma, damos por nós a pagar a factura de um sentimento que outrora julgámos inofensivo. Entregar o coração tem um preço. Alto. As relações pessoais têm este peso enorme do lugar que roubaram ao coração e à nossa vida.


(Felizes os que vivem no desligado e protector mundo do seu individualismo. Que passam por dores não sentidas, como quem atravessa o mundo à chuva sem se molhar.)

domingo, 6 de junho de 2010

Dinheirinho

Meus amigos, tendo em conta que sou uma rapariga independente, com uma casa para sustentar e mobilar, preciso de ganhar dinheiro. Ponderadas as hipóteses resta-me:

1. Jogar no euromilhões:

Para esta já ando eu a trabalhar afincadamente todas as semanas, em sociedade. Tendo em conta que um dos sócios já ganhou o totoloto esta hipótese parece-me um tanto ou quando condenada ao fracasso (sim, os mais puristas dirão que são testes independentes e que a probabilidade é a mesma e tal mas eu não acredito muito nessa história)

2. A prostituição de luxo

Vocês dirão: e lá está ela a falar do mesmo. Mas é que eu não me esqueço da "Madame Butterfly" e de como a senhora ganha 2000 por 1 hora de companhia.

3. Encontrar um xeque árabe

....que me troque por camelos (posteriormente vendidos e utilizados em compras na loja Poeira) e me acolha no seu hárem.

Tendo em conta que a burka não condiz, de todo, com a tez branca que Deus me deu e que faz inveja a todas as lulas, resta-me uma vida de pobreza.

IKEA, aqui vou eu!

terça-feira, 18 de maio de 2010

As mamocas de Mirandela




Quando oiço este país falar da professora de Mirandela vem-me à cabeça a mesma imagem que quando oiço D. Duarte de Bragança pronunciar a palavra "fornicar": Perpétua e suas beatas. E, logo de seguida, os possíveis títulos dos jornais desta terra: " Ai eu também queria mas não posso" ou então " Fornicar só por debaixo dos lençois - lição 1." Ou, o meu preferido: "Porque é que o meu marido foi às put@s de Bragança".
No fundo tudo isto tem uma simples e pragmática explicação: pessoas com uma imensa falta do que fazer.

Paper free

A primeira vez que ouvi falar da informatização dos hospitais fiquei em êxtase. UAU! Poupar árvores, ter acesso à informação toda de um doente independentemente da sua localização nesse mesmo hospital e, principalmente, sem ter de pedir um processo empoeirado que demora 1 dia a chegar, com camadas de cotão que me mexem cá com os receptores nasais.

E assim, com um passo (o meu pézinho de lã nº 35-36) no futuro, já me imaginava num hospital de ponta. E depois acordei.

E lembrei-me que, no nosso país se criam sistemas informáticos sem servidores capazes. Ou seja, para os leigos, aquilo que eu demoraria vá....2 minutos a fazer... demora agora 15m ou 30m. Dos quais 20m são para o computador ligar, abrir a sessão com o meu nome de utilizador, abrir o programa das análises com outra password, a folha de terapêutica com outra e o programa dos registos dos doentes com outra. Dois minutinhos extra para cada uma destas tarefas (caso o computador tenha passado uma noitinha descansada e despachado uma "queca" satisfatória com o servidor e o antivírus). E depois de tudo feitinho (ouvem-se campainhas e o hino nacional) IMPRIME-SE TUDO, TODOS OS DIAS!

(Perdoem-me o desabafo monótono, extremamente desinteressante mas, hoje, ia perdendo a cabeça e matando um HP.)

terça-feira, 4 de maio de 2010

To forgive. To forget

Hoje (porque tenho milhares de coisas muiiiiiiiiiiito aborrecidas para fazer cuja voltade tende infinitamente para o 0) decidi falar de perdão.

O tema surgiu de forma estúpida enquanto piscava o olho à Private Practice que está a dar na Fox Life. Ela diz que não pode ficar com ele. Porque ele é o ex-marido dela e ela jamais a perdoaria. O outro diz que já não está zangado com a outra porque já a perdoou.

Eu tenho alguma dificuldade em lidar com o perdão. Acho que existe alguma coisa que se parte quando alguém de alguma forma nos desilude. E depois fica um sentimento desconfortável. O sabor na boca de que o que foi não volta a ser. Esse sentimento vive-me no peito como certamente algumas pessoas o sentirão em relação a mim. E não sei, por vezes, onde é que o perdão entra na equação. Já perdi relações em que perdoei. Mas perdoar nem sempre significa o regresso ao passado. Como um vaso que se parte, o perdão é a cola, mas as marcas que lembram os estilhaços não devolvem à jarra da nossa avó o mesmo encanto.

Não sei se sou eu que não sei, no fundo, perdoar. Mas isso tornar-me-ia uma alma má e gosto de pensar que talvez não seja bem assim. E se assim não for, talvez seja só um pouco exigente. Com os outros. Comigo. E por isso, no fim da história, sou incapaz de perdoar quem mais importaria: a mim própria.

sábado, 1 de maio de 2010

Insónia

Perguntam-se vocês, mas o que faz esta "piquena" acordada às 8h30 da manhã de um Sábado? Não faço puto de ideia. Acordei e os meus olhos estão como os das corujas e não os consigo fechar. Passo 5 dias da semana a tentar levantar-me e os outros dois a acordar às horas dos padeiros.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tecla G


Só para avisar que a tecla G encravou (tive de carreGar com muita força para aparecer).


Can someone live sem o G (já me doi o poleGar de carreGar).

Aceitam-se sugestões que não passem por esquecer o G do vocabulário ou atirar o Sony Vaio pela janela.

Abaixo assinado

Venho por este meio convidar-vos a ajudar-me na penosa missão de acabar com as-senhoras-que-se-agarram-às-máquinas-multibanco-à-hora-de-almoço-a-pagar-100-facturas. Daquelas que se metem a olhar para a máquina, falham 3 vezes no código e marcam os números da referência com a mesma agilidade que a minha avó a jogar Tetris. E desenganem-se, a minha avó tem 92 anos e não faz ideia do que são as pecinhas triangulares, a barra comprida, o cubo e onde elas encaixam.