domingo, 6 de dezembro de 2009
António Feio
Voltei. E antes de aqui pôr aqui as fotos e falar da minha escapadela até à Queen´s city deixem-me falar de quem vinha no meu avião: António Feio.
Atormenta-me a facilidade com que as pessoas se transformam na doença que têm. Deixam de ser o José do talho, para passarem a ser o sr. coitadinho que tem um tumor do pulmão. E lamento que se tenha transformado este Homem na terrível neoplasia do pâncreas que transporta.
E talvez por isso tenhamos sorrido quando a máquina de chocolates não só nos ficou com os Cadbury´s como com uma libra a cada um. Talvez prefira um riso quando ameaça ter de dar um bico no raio da máquina a um olhar pesaroso ou a votos de força e boa sorte.
Há coisas que não precisam de ser ditas. Porque não são compreendidas por quem não as vive. Este Homem e a sua família estão no início de um caminho comprido de luta, de sofrimento e de muito amor. E tudo o que ele não precisa é de reviver esta dor, a cada instante, por cada desconhecido como um eco, incessante, constante, do seu próprio pensamento.
Raros e valiosos são os momentos em que a mente foge da doença. Como pequenas tréguas, pequenos raios de sol, em dias que se tornam exasperadamente cinzentos.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
CoCo Channel
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Forgiveness
Sempre pensei que soubesse perdoar. Porque o fiz algumas vezes quando pensei que não seria possível.
Deparo-me agora com esta incapacidade. De encontrar na minha alma a razão, a vontade e o amor e amizade que servem de motor ao perdão. E mesmo quando o pedido de desculpas nem sequer aparece, sabemos que não habita em nós a vontade que isso aconteça.
E é por isso que quando chega, distante, uma mensagem a dizer que o teu avô faleceu, eu fico sem saber o que fazer.
E se o silêncio mostraria uma pessoa que eu não sou (porque ninguém melhor que eu sabe o valor desta perda), os meus pêsames levam-te um carinho e respeito que não sinto.
Scrubs

Anda uma pessoa a :
1. Tomar banhinho pela manhã
2. Esticar o cabelinho com Babyliss e afins (mas porque raio nunca fica como no cabeleireiro ou como naquelas pindericas das louras nórdicas, alguém me explica?)
3. Escolher a mini-saia
4. Vestir os leggings e as botinhas
5. Escolher o casaquinho comprido
6. Pôr o rimmel no espelho do carro
7. Passar o gloss
Para chegar ao trabalho, ter de despir tudo e vestir um fato pior que o acima exposto (mas com a mesma cor) e de tamanho XXXXXL.
Independent women?
As minhas vizinhas são o maior grupo de comadres do Universo. Enquanto esperava pelo elevador a do 5 e a do 6º andar conversavam despreocupadamente e pouco conscientes da minha presença, da vizinha do 3º. Ora bem, a vizinha do 3º é doméstica. Mas não é uma doméstica daquelas que se arrastam com um lenço na cabeça, avental e calças de fato de treino todo o dia. Não. É uma late 30´s, arranjadérrima da ponta da unha à pontinha (irrepreenssssssível) do cabelo e entre as suas tarefas diárias contam-se:
- levar o filho ao autocarro do colégio
- ir ao cabeleireiro
- ir à abertura da marc by marc jacobs e afins
- ir ao gym
Ora bem, na minha voz pode-se escutar (embora francamente mais atenuado) o mesmo tom de ressabiamento que na voz das vizinhas. Porque eu gosto de trabalhar. Mas às segundas de manhã, quando chove, acho que não me importava de trocar de vida com ela um dia ou outro (com a certeza que ao 3º dia me começavam a tremer as mãozinhas de abstinência).
(A sociedade nunca anda satisfeita. Antes da 2ª guerra Mundial as mulheres que trabalhavam era quase queimadas na fogueira. Agora deparamo-nos com o inverso. Porque será que as escolhas individuais de vida são sempre julgadas em função de um modelo previamente aceite? )
Bad medicine
Tenho uma dor de cabeça que me acompanha há 3 dias. Tem acordado comigo, surda, de mansinho, lentamente e não passa com ibuprofeno, indometacina, paracetamol, metamizol e afins (por esta altura já devo ter um buraco no estômago do tamanho de uma bola de ténis).
Sábado estive de banco. A sina de um banco de Cardiologia são os pedidos de ecocardiogramas. Não que não os goste de fazer, pelo contrário, não gosto é que não os saibam pedir.
Eu ganho uns 10euros/hora para estar de fim de semana no Hospital (uma miséria tendo em conta que a empregada da minha amiga ganha 7e50). Os contratados ganham 70. Particularidades de um SNS que começa a não ter sentido nenhum. O porquê de um médico ganhar 7 vezes menos para trabalhar no seu hospital do que noutro que não é seu a fazer biscates, ultrapassa-me.
Mas um destes colegas pediu-me um ecocardiograma para excluir tromboembolismo pulmonar (uma doença em que existem trombos que se soltam e vão "entupir" os vasos do pulmão originando dor no peito, falta de ar,etc..) . Tudo bem excepto se:
1- O ecocardiograma não servisse para excluir tromboembolismo. Felizmente são poucas as vezes em que o tromboembolismo causa sobrecarga a nível do coração.
2-O dito cujo ter-se esquecido de falar com a doente que gritava desalmadamente quando lhe tocava nas costelas.
Pois é, o peito da senhora não doía por causa de um tromboembolismo. Era mesmo porque tinha caído nas escadas e fracturado 7 costelas.
PS - 70 euros à hora, sim senhora, não estou a brincar. Do meu bolso e dos vossos. Para isto.
Sábado estive de banco. A sina de um banco de Cardiologia são os pedidos de ecocardiogramas. Não que não os goste de fazer, pelo contrário, não gosto é que não os saibam pedir.
Eu ganho uns 10euros/hora para estar de fim de semana no Hospital (uma miséria tendo em conta que a empregada da minha amiga ganha 7e50). Os contratados ganham 70. Particularidades de um SNS que começa a não ter sentido nenhum. O porquê de um médico ganhar 7 vezes menos para trabalhar no seu hospital do que noutro que não é seu a fazer biscates, ultrapassa-me.
Mas um destes colegas pediu-me um ecocardiograma para excluir tromboembolismo pulmonar (uma doença em que existem trombos que se soltam e vão "entupir" os vasos do pulmão originando dor no peito, falta de ar,etc..) . Tudo bem excepto se:
1- O ecocardiograma não servisse para excluir tromboembolismo. Felizmente são poucas as vezes em que o tromboembolismo causa sobrecarga a nível do coração.
2-O dito cujo ter-se esquecido de falar com a doente que gritava desalmadamente quando lhe tocava nas costelas.
Pois é, o peito da senhora não doía por causa de um tromboembolismo. Era mesmo porque tinha caído nas escadas e fracturado 7 costelas.
PS - 70 euros à hora, sim senhora, não estou a brincar. Do meu bolso e dos vossos. Para isto.
Christmas Gifts








Só mesmo para sonhar:)
1- Sim3 para PC
2- Vestido Miss sixty colecção Outono- Inverno 2009/2010
3- Livro de Gonçalo Cadilhe: 1Km de cada vez
4-Vestido Miss sixty colecção Outono- Inverno 2009/2010
5-Botins Miss sixty colecção Outono- Inverno 2009/2010
6-Casaco Miss sixty colecção Outono- Inverno 2009/2010
7- Mini Portátil Sony Vaio
8-Mala Diesel colecção Outono- Inverno 2009/2010
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domingo, 29 de novembro de 2009
Futilidades

Eu acho que mulher que é mulher tem a boca calada.
Porque quando alguém vem para a televisão e revistas dia sim, dia sim, dizer "Ah ele tem uma pilinha pequenina" , "Ah, ele tira os pelos das pernas", "ah ele usa o meu soutien e os meus sapatos" enquanto o dito cujo não abre a boca para sequer pronunciar o nome dela só pode querer dizer uma coisa: que foi muito bem f$%#%&$# e tem dor muita dor de cotovelo!
PS - Longe de mim defender o rapaz. Mas para quem tem as revistas cor de rosa como consolo nos dias de banco, tanta falta de chá e de novidades nas notícias já enjoa!
PS2 também podia falar da Elsa Raposo. Mas aí seria bater no fundo da falta de imaginação
My city
Peço desculpa aos escassos leitores mas foi uma semana trabalhosa.
E não importa que tenha entrado às 8h15 e saído às 20h todos os dias(excepto Sábado que entrei às 9h mas saí às 9 do dia seguinte...). Não importa que ganhe pouco mais que uma mulher a dias (não, não é DE TODO, uma hipérbole).
Porque Quinta vou estar aqui. E aqui it´s "my place".
domingo, 22 de novembro de 2009
Pinócrates
Christmas Gifts - Pins



Estou apaixonada por estes pins e acho que vão ser meus soon! 1,5 euros/cada, são a prova de que uma prenda de Natal pode ser original e barata!
PS - Adoro, em especial, os criados pela Ana Oliveira (vejam o blog, tem desenhos fabulosos, de chorar a rir!).
sábado, 21 de novembro de 2009
To cope with
Existem vezes em que nos sabemos partidos.
Eu era a criança que fazia enfeites de Natal com papel de lustro (meu Deus, os blocos de papel de lustro, perfeitos, coloridos, 3 páginas de cada cor!). Era a criança que sonhava com um quase perfeito presépio amador.
Sei que cultivamos a vida que vivemos. So I live it with no blame. Só não percebo em que ponto segui o caminho que me trouxe aqui. Em que ponto me fez ser esta pessoa que só está feliz quando trabalha, que sente apenas a paz entre as paredes de um Hospital.
(Sabes Raquel, pensei no teu post. E a palavra resiliência -perante o que se cruza no nosso caminho - diz quase tudo. E no fundo não são as pessoas que te rodeiam que definem a tua solidão. Não é uma casa mais ou menos vazia. São as relações que cultivas e a forma como o fazes e as geres. Não interessa um telemóvel com muitos números. Se ao final do dia, com uma lista de contactos cheia, não tens ninguém a quem ligar).
Coisas que deviam ser proibídas
1. Corsários.
Minhas amigas, existem POUCAS pessoas que as podem usar sem parecerem uma salsicha com as pernas cortadas. Têm 1,80 e pernas muito magrinhas? Não? Eu também não e por isso não as uso. Já para não falar de corsários e Inverno. E aí então não existe ninguém que se safe.
2. Fatos de treino
Existe uma razão para se chamar FATO de TREINO . É porque é isso mesmo. Não é FATO de COMPRAS ou FATO de CINEMA. Por isso, reservem-no para as corridinhas de fim de semana e os passeios de bicicleta.
3. Unhas com manifestações artísticas de uma manicure moldava
O que foi feito do simples e plain verniz unicolor? É que já me enjoa tanta florinha e risquinho e brilhantinho.
Minhas amigas, existem POUCAS pessoas que as podem usar sem parecerem uma salsicha com as pernas cortadas. Têm 1,80 e pernas muito magrinhas? Não? Eu também não e por isso não as uso. Já para não falar de corsários e Inverno. E aí então não existe ninguém que se safe.
2. Fatos de treino
Existe uma razão para se chamar FATO de TREINO . É porque é isso mesmo. Não é FATO de COMPRAS ou FATO de CINEMA. Por isso, reservem-no para as corridinhas de fim de semana e os passeios de bicicleta.
3. Unhas com manifestações artísticas de uma manicure moldava
O que foi feito do simples e plain verniz unicolor? É que já me enjoa tanta florinha e risquinho e brilhantinho.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
To dream
O que eu gostava que os jornalistas da reportagem sobre a vacina da gripe fizessem a sinapse dos 2 neurónios com que nasceram
O aborto acontece, certo? É uma chatice mas acontece e não passa todos os dias no jornal nacional. Ora se vacinamos um grupo de risco inteiro obviamente vão existir mulheres vacinadas com abortos, sim?
O que estas mentes iluminadas não se lembram é de algo simples: comparar o número de eventos durante igual período do ano anterior, por exemplo. Ah, mas isso não vendia, não era? Que chatice! Vamos antes queimar as vacinas na fogueira, entrevistar o pai do pequeno feto morto e perguntar se ele se sente mesmo miserável e se na sua opinião altamente fundamentada considera que a culpa foi da vacina da gripe!
O que estas mentes iluminadas não se lembram é de algo simples: comparar o número de eventos durante igual período do ano anterior, por exemplo. Ah, mas isso não vendia, não era? Que chatice! Vamos antes queimar as vacinas na fogueira, entrevistar o pai do pequeno feto morto e perguntar se ele se sente mesmo miserável e se na sua opinião altamente fundamentada considera que a culpa foi da vacina da gripe!
Mellon Collie and the infinite sadness
terça-feira, 17 de novembro de 2009
MAC-Cosmetics
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Envy
Em conversa de fofoquice contaram-me a história de uma médica com quem me cruzo em congressos e afins. Uma quarentona "enxuta", fiel às mini-saias e ao cabelo que teima em ser demasiado loiro. É mãe de 4 filhos, ainda novitos e ao que parece ter-se-à apaixonado perdidamente e pedido o divórcio ao pai das crias.
À primeira "vista" os comentários (não os meus) foram de "ah e tal, é preciso ser-se egoísta". Confesso não estar a ouvir a conversa com atenção (estava ocupada a desfolhar as páginas da CARAS, essa grande revista do jet-set português que transborda de notícias de Kleber e seu fiel amor, Elsa the Fox). Por alguma razão aquilo ficou-me a ressoar nos ouvidos.
Depois reflecti. E, uma mulher que não me merecia muito mais que um olhar de soslaio a gabar os Louboutin do último europeu de Cardiologia, ganhou-me uma maior admiração.
É alguém que conhece, vive e sabe as dolorosas fronteiras entre um "eu" mulher, de um outro que é "mãe e esposa". Que lhes conhece as diferenças e que numa atitude de imensa coragem toma a decisão de respeito máximo por si própria. E que aos meus olhos está longe de ser catalogada de egoísmo. Mas que é a recusa (muito dolorosa) da sua auto-negação.
domingo, 15 de novembro de 2009
Mais um filme que parece ser mesmo giro!
Sweet (too short ) Sundays
Não gosto que anoiteça ainda o relógio não bateu as 6 badaladas.
Mas já que chove, que está assim para o frescote, já que o dia parece chegar lentamente ao fim, deixo-me aqui estar, enterrada até às orelhas no sofá, debaixo da manta.
Mas já que chove, que está assim para o frescote, já que o dia parece chegar lentamente ao fim, deixo-me aqui estar, enterrada até às orelhas no sofá, debaixo da manta.
sábado, 14 de novembro de 2009
RIP
Morreu Robert Enke. E apesar de ter sido guarda redes do Benfica o senhor não me dizia nada de especial. Não o conhecia, não sabia as suas dores, nem gostava especialmente dele como guarda-redes.
Mas irrita-me que, no dia da notícia, oiça comentários como " Ah, mas ele tinha tudo. Que parvoíce tão grande do senhor!". A primeira frase já me deixa nervosa. "Tinha tudo?" O que é ter-se tudo? Uma profissão, família, dinheiro? É suficiente para a felicidade ou apaziguar a alma? Ou assumimos os modelos predefinidos de felicidade como verdades absolutas e transversais?
Já o disse e sinto-o na pele todos os dias: a tristeza tem raízes profundas.
Entranha-se na alma e fica. Permanece. Consome. E só uma alma com um tormento maior que o Mundo e de uma dimensão que quem não a sente não a pode nunca compreender, procura a luz de salvação na de um comboio na sua direcção.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Next to heaven
Existem pessoas que procuram retiro espiritual nas igrejas. Eu encontro-o na Prof.
Encomendados. Não os botins mas uns sapatos pretos altoooooooooooooos que me chamaram da montra e serão a minha auto-prenda-de-Natal.
E talvez assim não encontre o perdão divino.....mas fico 8 cm mais próximo do céu...
Encomendados. Não os botins mas uns sapatos pretos altoooooooooooooos que me chamaram da montra e serão a minha auto-prenda-de-Natal.
E talvez assim não encontre o perdão divino.....mas fico 8 cm mais próximo do céu...
Hipopótamos e afins
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Apelo Desesperado
Um dos meus primeiros doentes (um de estimação) sussurrou-me, entredentes, que precisava de um "apoio extra". E lá foi uma receitinha de um análogo do Viagra para dar "ânimo" à coisa...
Nada de novo ou extraordinário não fosse o senhor, em extremo agradecimento, me ter aparecido ontem com um saquinho com prendas: umas tortinhas da doçaria portuguesa, umas queijadinhas e, voilá.....2 queijinhos de Azeitão.
Não desfazendo o sabor e óptimo aspecto dos ditos cujos o meu carro, ficou...hum...deixa cá ver....como se um cadáver estivesse na mala do meu carro há 3 meses e tivesse jantado alho na sua última ceia.
Já espalhei perfume, abri janelas, congelei com o frio, queimei incenso e aquilo ainda parece que é um depósito universal de peúgas.
(Agradecem-se sugestões que não passem por fazer uma fogueira com os estofos ou regar a mala do carro com gasolina.)
domingo, 8 de novembro de 2009
Prime-time
sábado, 7 de novembro de 2009
Denial


Existem outros dias em que colocamos os problemas na gaveta para o dia de amanhã. Não os resolvemos, não os esquecemos, mas deixamo-los de lado por umas horas.
De regresso à futilidade no Pepper e na vida, fui às compras. Comprei umas botas lindas, baratíssimas de uma marca (Coolway) ainda com pouca representação em Portugal mas que tem coisas fabulosas. Não as encontrei no catálogo, mas podem encontrá-las na DNA , no Colombo.
As más notícias é que na busca destas botas encontrei outras, lindas. Uns botins magníficos muito menos "pocket friendly". Aguardemos o subsídio de férias e as prendas de natal. Até lá fica a foto. Para não me esquecer delas.
Quanto ao histerismo colectivo da Jimmy Choo na H&M confesso não ficar muito alegre com o conceito. A visão de uma loja no Chiado repleta de gente histérica com uma pulseirinha no punho, numa fila desde o Cais do Sodré, à espera da sua hora para poder ver a "secção reservada" está longe de me seduzir. É que não é H&M e também não é Jimmy Choo. Não é carne nem é bem peixe. Não é a democracia do consumo e da moda. It´s just something else....
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Christmas Lights
Em resposta a todos
Li-vos com calor. Engraçado como por vezes conseguimos transpor a intensidade da angústia que sentimos. Como nesta música*. Faz-me sentir tal ansiedade e inquietação que só alguém com a alma com dor a pode ter criado.
Li-vos com atenção. Com carinho. Sei que estão por aí, acreditem que sim. Por vezes parece impossível o dia de amanhã. Por vezes quem nos ama não nos alcança. E quando não se percebe o desespero, não se tomam as dores.
Sei que alguns de vós não compreendem. Sei que sim.
Que as decisões que não tomo são aos vossos olhos apenas estradas rectas.
Mas são aos meus os maiores precipícios.
*- Yann Tiersen- Summer 78
Li-vos com atenção. Com carinho. Sei que estão por aí, acreditem que sim. Por vezes parece impossível o dia de amanhã. Por vezes quem nos ama não nos alcança. E quando não se percebe o desespero, não se tomam as dores.
Sei que alguns de vós não compreendem. Sei que sim.
Que as decisões que não tomo são aos vossos olhos apenas estradas rectas.
Mas são aos meus os maiores precipícios.
*- Yann Tiersen- Summer 78
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Este é um post cinzento
Tinha um vizinho no andar de cima que me sorria todos os dias. Chamava-me pequenita, contava-me anedotas no elevador e passeava o cão pela manhã. De vez em quando apanhava-o no café que fica na esquina do prédio e oferecia-me pastilhas Gorila de laranja.
Há 2 anos enforcou-se na varanda.
Hoje cheguei de carro ao final da tarde. Estacionei perto de casa, demasiado cansada e preguiçosa para pôr o carro na garagem. Desliguei o motor, deixei o rádio ligado e ali fiquei. Estava a chuviscar e senti os músculos dormentes. Suspirei fundo e chorei. Sinto-me perdida, sem mais forças, como se tudo o que eu quisesse era poder ser igual a todos os outros. Ter uma vida igual à de todos. Queria amigos para beber um copo, queria um sofá com um cão e alguém ao lado. Queria ter paz.
E hoje percebo que ninguém me vê. Sei que passo em pontas dos pés, profundamente só.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Estupidez ou Perimenopausa
AHHHHHHHHHHHHHHH!!!!
Desde ontem que acredito que as mulheres em peri-menopausa (e respectivas famílias) deviam levar um chuto de estrogénios antes de entrarem urgência a dentro...
Estou de saída de banco e com nervos em franja.
Imaginem uma senhora de 50 anos com a triste ideia de que é tia da Baixa da Banheira.
Imaginem que tem dor no peito, que vai a dois (magníficos) hospitais privados (e suas respectivas urgências) e não lhe diagnosticam o enfarte que tem (wonderfull world of private medicine...um outro grande mundo que dará resmas de posts..). E então, "ah e tal, isto não me parece estar bem, deixem-me lá ir à rasquice do público".
Enfim, a srª lá veio, tinha uma das artérias coronárias "entupidas", fez cateterismo e angioplastia ("abriu o vaso") na primeira hora em que entrou no hospital e ficou internada na nossa unidade.
Para fazer um procedimento destes implica "esburacar" uma artéria importante que passa na virilha e, como calculam os meus queridos leitores, isso implica um REPOUSO ABSOLUTO nas 24 horas seguintes.
Não sei se a dita cuja ignorou a parte do "repouso" ou do "absoluto" ou se simplesmente os 2 neurónios que lhe restam não fizeram a respectiva sinapse e tivemos direito quase a saltos de trampolim na cama. E sim, a sua estupidez infinita deu-lhe direito a um gigantesco hematoma no local da picada. Recusou-se a ficar com a perna quieta, utilizou telemóveis na unidade quando lhe foi dito 30 vezes que tal não era permitido, recusou a comida e fez questão de atirar a arrastadeira para o chão. Very polite.
Mas depois de o enfarte tratado, a artéria aberta, o hematoma controlado a dita cuja atreve-se a soltar a frase:
" Estou muito mal impressionada , se tiver de aqui ficar quero ir para a CUF".
Se não tivesse um juramento, eu queria mesmo dizer-lhe: " pode ir sim senhora, e também para o raio que a parta se me fizer o favor, é só seguir a portinha ali da saída. E já agora faça o favor de cuspir o stent de 1000 euros que aí tem posto no seu coração e vá curtir o enfarte para o inferno, sim? Muito agradecida."
IRRA!
Desde ontem que acredito que as mulheres em peri-menopausa (e respectivas famílias) deviam levar um chuto de estrogénios antes de entrarem urgência a dentro...
Estou de saída de banco e com nervos em franja.
Imaginem uma senhora de 50 anos com a triste ideia de que é tia da Baixa da Banheira.
Imaginem que tem dor no peito, que vai a dois (magníficos) hospitais privados (e suas respectivas urgências) e não lhe diagnosticam o enfarte que tem (wonderfull world of private medicine...um outro grande mundo que dará resmas de posts..). E então, "ah e tal, isto não me parece estar bem, deixem-me lá ir à rasquice do público".
Enfim, a srª lá veio, tinha uma das artérias coronárias "entupidas", fez cateterismo e angioplastia ("abriu o vaso") na primeira hora em que entrou no hospital e ficou internada na nossa unidade.
Para fazer um procedimento destes implica "esburacar" uma artéria importante que passa na virilha e, como calculam os meus queridos leitores, isso implica um REPOUSO ABSOLUTO nas 24 horas seguintes.
Não sei se a dita cuja ignorou a parte do "repouso" ou do "absoluto" ou se simplesmente os 2 neurónios que lhe restam não fizeram a respectiva sinapse e tivemos direito quase a saltos de trampolim na cama. E sim, a sua estupidez infinita deu-lhe direito a um gigantesco hematoma no local da picada. Recusou-se a ficar com a perna quieta, utilizou telemóveis na unidade quando lhe foi dito 30 vezes que tal não era permitido, recusou a comida e fez questão de atirar a arrastadeira para o chão. Very polite.
Mas depois de o enfarte tratado, a artéria aberta, o hematoma controlado a dita cuja atreve-se a soltar a frase:
" Estou muito mal impressionada , se tiver de aqui ficar quero ir para a CUF".
Se não tivesse um juramento, eu queria mesmo dizer-lhe: " pode ir sim senhora, e também para o raio que a parta se me fizer o favor, é só seguir a portinha ali da saída. E já agora faça o favor de cuspir o stent de 1000 euros que aí tem posto no seu coração e vá curtir o enfarte para o inferno, sim? Muito agradecida."
IRRA!
domingo, 1 de novembro de 2009
1994
Sou saudosista (Não somos todos quando o presente nos faz caminhar em camas de pregos?)
E 1994 porque nesse ano ganhámos 6-3 ao Sporting. Porque o Benfica foi campeão. Porque andava no oitavo ano e no oitavo ano pouco ou nada se estuda, come-se gelados sem engordar e os amigos jogam connosco ao Prince of Persia. Porque o rato salva o príncipe e no final sabemos que salvamos a princesa.
And everything is all that simple.
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